Senado confirma escolha de Trump para presidente da Reserva Federal
O Senado norte-americano confirmou hoje a escolha do Presidente Donald Trump para liderar a Reserva Federal (Fed), com Kevin Warsh a assumir a nova liderança do banco central mais poderoso do mundo num momento delicado para a economia global.
Warsh foi confirmado numa votação maioritariamente partidária, por 54 votos contra 45, depois da sua nomeação ter sido colocada em dúvida nos últimos meses, após o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, ter dito que iria bloquear a nomeação enquanto o Departamento de Justiça investigasse o presidente da Fed, Jerome Powell.
A investigação sobre Powell foi arquivada em abril, abrindo caminho para o Senado confirmar Warsh.
O líder da maioria no Senado, John Thune, republicano do Dakota do Sul, pediu aos colegas que apoiassem Warsh durante um discurso no plenário hoje de manhã, frisando que é fundamental que um presidente da Fed "entenda não só a macroeconomia", mas também "aprecie a microeconomia, e isto inclui os americanos trabalhadores, os seus empregos e os seus meios de subsistência".
"Kevin Warsh é exatamente este tipo de pessoa", garantiu Thune.
A câmara alta do Congresso norte-americano já tinha aprovado a sua nomeação para o Conselho de Governadores da Reserva Federal na terça-feira, por 51 votos a 45, para um mandato de catorze anos. A presidência terá a duração de quatro anos.
Trump, que não esconde o seu desejo por taxas de juro mais baixas, já tinha ponderado nomeá-lo para chefiar a instituição monetária em 2018, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.
Acabou por escolher Jerome Powell, que foi reconduzido no cargo pelo democrata Joe Biden, cujo mandato termina na sexta-feira.
Donald Trump rapidamente se arrependeu da sua decisão e deixou isso claro com insultos e pressionando Powell de todas as formas.
Muitos observadores preveem o mesmo destino para Kevin Warsh se não reduzir as taxas de juro.
Para isso, precisaria de convencer os onze membros da Fed que votarão com ele sobre a política monetária.
A Fed tem a missão de combater a inflação sem destruir postos de trabalho. A sua principal arma são as taxas de juro, que controlam os custos dos empréstimos, podendo aumentá-las para acalmar a pressão sobre os preços ou reduzi-las para estimular a economia e evitar o desemprego.
Por enquanto, o desemprego mantém-se baixo, nos 4,3%.
A maioria dos banqueiros centrais está, por isso, focada no aumento das tensões ligadas à guerra no Médio Oriente e na forte subida dos preços da gasolina.
A Fed tem como meta uma inflação de 2%, um objetivo que não foi alcançado nos últimos cinco anos e que se está a distanciar cada vez mais.
Os preços no consumidor subiram em abril a uma taxa que não se verificava há quase três anos (+3,8% em termos homólogos).
Kevin Warsh, de 56 anos, vai presidir à sua primeira reunião de política monetária nos dias 16 e 17 de junho.
Regressa a uma instituição que já conheceu como membro do Conselho de Governadores (2006-2011), para trabalhar ao lado de autoridades cujas escolhas criticou.
Entre elas, destaca-se Powell, que trabalhou durante oito anos à frente da Fed e decidiu manter-se no Conselho de Governadores, onde poderá ficar até janeiro de 2028).